Quem sou eu?

Ele era aquele que ninguém percebia. Era só mais um garoto normal. Tomava capuccino no balcão. Não comia nada. Nunca o viram acompanhado. Nunca o viram sorrindo. Não sabiam nada a seu respeito. Ele sempre chegava pouco antes de anoitecer. Pedia seu tradicional capuccino e lia o livro que trazia dentro da bolsa. Seus olhos sempre se enchiam de lágrimas após alguns minutos de leitura, mas não chorava. Tomava sua bebida e fingia estar tudo bem. Todas as tardes ele voltava à cafeteria para tomar seu capuccino, ler seu livro e para enganar a si mesmo um pouco. A expressão em seu olhar inspirava a piedade. Ele já não tem mais forças para ser forte. Não tem mais condições de continuar. Ele está à espera de alguém. Alguém que lhe feche o livro e lhe retire a xícara. Ele se cansou da rotina de sua tristeza. Ele está farto da estagnação de seus próprios silêncios. Suas mãos, seus olhos e sua boca desejam mais que uma xícara e um velho livro. Ele quer se libertar, mas não há ninguém que se disponha. Ele já sofreu em silêncio demais, e está pronto para permitir novamente as pessoas. Permitir, também, a ele mesmo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quando um tabuleiro de Xadrez se torna uma mesa de Pôquer, Gamão, Sudoku e tudo em hebraico de ponta cabeça.

Pois é galera... voltei pra casa. Ou não. Tudo mudou por aqui... to me sentindo pesado, como se fosse dificil de me mover. Tenho mil coisas pra fazer, mas ainda nao fiz nada. Ta sendo péssimo aqui na casa dos meus pais, nao por eles, mas pelas pessoas que deixei aqui... achei que fossem me entender, que eu precisava ir embora, é o meu futuro afinal... mas nao. Pessoas que eu amava me deixaram. Me deixaram pra sempre. Estou tão magoado, ferido... me sinto rejeitado, abandonado... nao tem como expressar essa dor que ta aqui no meu peito, me comprimindo pra dentro de mim mesmo, um choro embolado na garganta, que queima feito fogo. Eu só queria poder ter a chance de mudar tudo, obrigá-los a me entender, a fazer tudo do meu jeito... mas não dá.
Me sinto do avesso agora... como se uma mão mágica me descosturasse, retirasse minha roupa, meu recheio, meus olhos, cabelos... me deixasse só no pano principal. Depois, enfiasse a mão pela minha boca e puxasse meus fundilhos pra fora, me deixando do avesso... me desse um novo recheio, nova roupa, novos olhos, cabelo... me re-costurasse e me jogasse na vida novamente.
Agora vejo que minha vida não é mais aqui... pelo menos não agora... mas acho q nunca vai voltar a ser, sinto isso dentro (ou fora) de mim.
depois falo mais com vcs.
Beijos.
Fox

Nenhum comentário:

Postar um comentário