Quem sou eu?
- A Little Ideas... Just Me.
- Ele era aquele que ninguém percebia. Era só mais um garoto normal. Tomava capuccino no balcão. Não comia nada. Nunca o viram acompanhado. Nunca o viram sorrindo. Não sabiam nada a seu respeito. Ele sempre chegava pouco antes de anoitecer. Pedia seu tradicional capuccino e lia o livro que trazia dentro da bolsa. Seus olhos sempre se enchiam de lágrimas após alguns minutos de leitura, mas não chorava. Tomava sua bebida e fingia estar tudo bem. Todas as tardes ele voltava à cafeteria para tomar seu capuccino, ler seu livro e para enganar a si mesmo um pouco. A expressão em seu olhar inspirava a piedade. Ele já não tem mais forças para ser forte. Não tem mais condições de continuar. Ele está à espera de alguém. Alguém que lhe feche o livro e lhe retire a xícara. Ele se cansou da rotina de sua tristeza. Ele está farto da estagnação de seus próprios silêncios. Suas mãos, seus olhos e sua boca desejam mais que uma xícara e um velho livro. Ele quer se libertar, mas não há ninguém que se disponha. Ele já sofreu em silêncio demais, e está pronto para permitir novamente as pessoas. Permitir, também, a ele mesmo.
terça-feira, 14 de junho de 2011
... ... ...
Não é uma dor física, porque dói muito mais do que uma; não é algo que cure com remédios os curativos, a dor dele era a pior dor do mundo. Era uma angustia que ele sentia, sentia uma dor no peito, sentia seus olhos arderem de tanto chorar. Ele não falava sobre aquilo com ninguém, achava melhor não falar de seus sentimentos, ele se achava fraco por sentir tudo isso; mas mal ele sabia que era mais forte do que imaginava ser, só por sentir tudo aquilo e mesmo assim continuar sorrindo.
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