Quem sou eu?

Ele era aquele que ninguém percebia. Era só mais um garoto normal. Tomava capuccino no balcão. Não comia nada. Nunca o viram acompanhado. Nunca o viram sorrindo. Não sabiam nada a seu respeito. Ele sempre chegava pouco antes de anoitecer. Pedia seu tradicional capuccino e lia o livro que trazia dentro da bolsa. Seus olhos sempre se enchiam de lágrimas após alguns minutos de leitura, mas não chorava. Tomava sua bebida e fingia estar tudo bem. Todas as tardes ele voltava à cafeteria para tomar seu capuccino, ler seu livro e para enganar a si mesmo um pouco. A expressão em seu olhar inspirava a piedade. Ele já não tem mais forças para ser forte. Não tem mais condições de continuar. Ele está à espera de alguém. Alguém que lhe feche o livro e lhe retire a xícara. Ele se cansou da rotina de sua tristeza. Ele está farto da estagnação de seus próprios silêncios. Suas mãos, seus olhos e sua boca desejam mais que uma xícara e um velho livro. Ele quer se libertar, mas não há ninguém que se disponha. Ele já sofreu em silêncio demais, e está pronto para permitir novamente as pessoas. Permitir, também, a ele mesmo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

É o ciclo...

É um ciclo. Eu vou explicar pra você. Existe um cara legal. Então ele começa a namorar uma garota filha da puta. Ele gosta dela pra caralho, e ela… Não tanto assim. Essa garota termina com ele e o deixa muito machucado, então ele passa por um longo período superando ela e parte pra outra. Automaticamente ele se torna um pouco como umcara filho da puta. Ele conhece uma garota legal e eles começam a namorar. Ela gosta dele pra caralho, e ele… Não tanto assim. Esse cara termina com essa garota e a deixa muito machucada, então ela passa por um longo período superando ele e parte pra outra. Automaticamente ela se torna um pouco como uma garota filha da puta. Então o ciclo recomeça. É claro que existem pessoas que nasceram pra ser legais e outras que nasceram pra ser filhas da puta, mas é basicamente isso.

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