Quem sou eu?

Ele era aquele que ninguém percebia. Era só mais um garoto normal. Tomava capuccino no balcão. Não comia nada. Nunca o viram acompanhado. Nunca o viram sorrindo. Não sabiam nada a seu respeito. Ele sempre chegava pouco antes de anoitecer. Pedia seu tradicional capuccino e lia o livro que trazia dentro da bolsa. Seus olhos sempre se enchiam de lágrimas após alguns minutos de leitura, mas não chorava. Tomava sua bebida e fingia estar tudo bem. Todas as tardes ele voltava à cafeteria para tomar seu capuccino, ler seu livro e para enganar a si mesmo um pouco. A expressão em seu olhar inspirava a piedade. Ele já não tem mais forças para ser forte. Não tem mais condições de continuar. Ele está à espera de alguém. Alguém que lhe feche o livro e lhe retire a xícara. Ele se cansou da rotina de sua tristeza. Ele está farto da estagnação de seus próprios silêncios. Suas mãos, seus olhos e sua boca desejam mais que uma xícara e um velho livro. Ele quer se libertar, mas não há ninguém que se disponha. Ele já sofreu em silêncio demais, e está pronto para permitir novamente as pessoas. Permitir, também, a ele mesmo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Só um pensamento de uma quarta a noite...

Você podia estar aqui, ao meu lado. Eu iria todos os dias a tua casa te acordar, e te levar pra escola. Ao final da tarde eu estaria lá, te esperando na saída. Eu sussurraria o quanto eu te amo em teus ouvidos a todo momento. Quando você estivesse doente, eu te traria pra minha casa pra cuidar de você. Quando você estivesse triste eu te abraçaria forte, te pediria pra chorar e dizer tudo o que te faz mal. Juntos procuraríamos uma solução e então eu alugaria um filme de comédia ou romance, assistiria ao teu lado por debaixo das cobertas, compraria chocolate e ficaria lá, até você se sentir bem, com você. Quando você estivesse indo mal na escola, eu iria te ajudar a estudar. Eu te faria cócegas pra ver o teu lindo sorriso. Eu compraria um walk tok para te chamar a todo momento. Eu riria de suas palhaçadas, e você me chamaria de bobo pelas minhas, com um sorriso. Eu escreveria meu nome e o seu em nossos pulsos. Eu tomaria algum objeto teu e te faria correr atrás de mim, tentando alcança-lo, e então eu ergueria minhas mãos ao alto pra que você precisasse de uma cadeira para alcançar. Quando você subisse eu te tiraria de lá te pegando no colo, te levaria com cuidado a minha cama, e quando te deitasse ali, te beijaria, até que tudo o que importasse fôssemos apenas eu e você. Eu te ensinaria a andar de skate, e quando você fosse cair eu te pegaria no colo. Se você se machucasse, eu cuidaria de suas feridas, e daria um beijinho nelas, pra sarar. Eu te apresentaria aos meus amigos e amigas, como meu futuro esposo. Eu cantaria pra você, ao som de meu violão. Ao entardecer eu te levaria para casa, te deitaria em sua cama, te daria um beijo de boa noite e te faria cafuné até você adormecer. Passaria horas apenas te olhando respirar. Então eu voltaria para casa e sonharia com você, dormindo com um sorriso no rosto só por saber que você existe. Eu iria além de te dizer “eu te amo”, eu iria te provar, que tudo do que eu preciso, é de você.

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